A Leptospirose ainda existe? É perigosa em 2026? Entenda

O que Causa a Leptospirose?

Imagem ilustrativa da bactéria Leptospira interrogans, agente causador da leptospirose humana e animal
A bactéria Leptospira interrogans possui formato espiralado com extremidades em gancho, característica marcante observada na leptospirose. 

 A leptospirose é uma das mais antigas, conhecidas e atuais doenças infecciosas que sempre levanta dúvidas nos seres humanos, que continuam em constante vigilância sempre reforçando a biosseguridade sempre sendo alvo de procuras, pesquisas e notícias de surto em locais como: Brasil, Índia, Nicarágua, Sudeste Asiático e Estados Unidos da América. 

 Mesmo com aproximadamente de 10 à 15% de óbitos pela infecção, é preciso estar atento, já que ela nunca saiu de moda, e de tempos em tempos causa surtos sendo necessário saber como ela está inserida em nosso meio para que o básico em prevenção evite surpresas no cotidiano das pessoas e animais. 

Esse artigo foi dividido em partes através de pesquisas e visão da Medicina Veterinária sobre a doença. 

Aviso Importante

Este conteúdo possui finalidade informativa e educacional.
Em caso de suspeita de brucelose, procure um médico veterinário e os órgãos oficiais de defesa sanitária.

Muito Importante: 

 Caso você não saiba o que são Zoonoses ou em quantos e como são classificados os  seus tipos, também sobre Defesa Sanitária Animal e Saúde Pública Veterinária, para isso vamos deixar alguns links da nossa página logo para você ficar mais inteirado sobre os assuntos que tratamos aqui.

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E para saber Sobre Saúde Pública Veterinária clique aqui => Saúde Pública Veterinária by Zoonótico 


Palavras-Chave:

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  • leptospirose ainda existe.

 Histórico através dos tempos.

A infecção por espécies de Leptospira spp, patogênicas aos seres humanos e por isso causam grande impacto na saúde pública, com a sua disseminação através da corrente sanguínea e atingindo múltiplos órgãos como: cérebro, pulmão, humor aquoso, fígado e rins. A zoonose acontece em centros rurais e urbanos, mas no campo principalmente em locais de armazenamento de silos pode ter uma incidência de frequência maior, por isso tende a ter mais gastos e mais vigilância, porém não sendo menos importante em centros urbanos. 

 Há mais de 100 anos a Leptospirose teve suas primeiras descrições por Adolf Weil em Heidelberg na Alemanha, em trabalhadores civis que atuavam em obras nos esgotos, apesar de haver descrições na China antiga, no mesmo período em que houve a Febre da Colheita do Arroz, e no Japão junto a Febre do Outono. Também chamada tifo canino, ou doença dos porqueiros (sinonímias não mais utilizados para não confundir a doença) já naquela época estava espalhada de maneira global, o que ja era assustador!

 Como se Contaminam Animais e Humanos?

A contaminação ao ser humano é efetuada através do contato direto ou indireto dos microorganismos que foram eliminados na urina de animais infectados, quando a pele está cortada, ou com alguma fenestra, arranhaduras, ou até mesmo através das conjuntivas. Pode também ocorrer em peles saudáveis quando submersas em águas, em casos de inundação pode ser mais frequente devido ao tempo de exposição ao ficar dentro d'água. 

Entretanto nos cães através da água e ração são as vias de transmissão mais importantes, e também nos bovinos, porém a água de contato (áreas alagadas no pasto) destacam-se também como importantes vias de transmissão da doença nos animais. A via oral em alguns estudos demonstram aproximadamente 40%, em comparação à pele (perineal e subcutânea) que representam de 80 à 100% dos casos da doença. 

 Morfologia x Microbiologia.

As espiroquetas são sua morfologia com 0,1 à 20 µm de comprimento, mas geralmente observa-se até um pouco mais longas. A forma de "ganchos" ou que lembra um gancho, com curvas distintas é sua característica morfológica. A bactéria que possui dois flagelos periplasmáticos (filamentos axiais) com inserções polares no espaço periplasmático. Mesmo que seja complexa a estrutura da bactéria, o isolamento da mesma "in vitro" depende da subcultura, mas pode ter reestruturação por Golden Hamster (Misocricetus auratus). 

 Com seu período de incubação em torno de 1 à 30 dias, enquanto durante meses ou anos o animal infectado pode eliminar a leptospira no ambiente, mas dependendo do tipo do animal e do sorovar envolvido.

 Em casos raros animais e humanos se infectam ao ter contato com sangue ou tecido infectado com a doença, o que torna intrigante e interessante, pois mesmo sendo raro pode ocorrer. 

 Nomenclatura e Nova Divisão.

A sua nomenclatura no final da década de 80, ocasionou no gênero uma divisão em duas sendo:  

  • L. interrogans (atinge humanos);
  • L. Biflexa (saprófitas).

 A diferença entre os gêneros se dá na capacidade de crescimento em aproximadamente 13º C, na presença de 8-azaguanina em concentração de 225µg/mL, sem ser esférica em meio 1M(1 molar) NaCl. Algumas variantes de sorovares dos gêneros em vários subgrupos também já foram observados no decorrer dos tempos. 

 Observação: "Saprófitas é quando a microorganismo se alimenta com nutrientes provinientes de matérica orgânica ou em decomposição."

 Tipos de Hospedeiros e suas especificidades.

Os países e regiões mais quentes são os locais com maiores incidências com relação à epidemiologia da doença, tendo sua outra característica a sazonalidade, quando a temperatura alta e úmida favorecem a  duração da bactéria no meio ambiente, e sendo através da dessecação sendo um fator limitante para sobrevivência das Leptospiras no ambiente.

Os hospedeiros são separados em: 

Hospedeiros Definitivos: 

  • camudongos e ratos (sorogrupos Icterohaemorrhagiae e Ballum);

 - Ratos Sinantrópicos:

  • Rattus norvicegus: ratazana ou ratos-de-esgoto (principal portador Icterohaemorrhagiae => perigoso ao ser humano);
  • Rattus rattus: rato de telhado ou rato preto;
  • Mus Musculus: camundongo ou catita.

Hospedeiros Acidentais: 

AnimalSorovar mais comum
  • Cães
  • Canicola
  • Bovinos
  • Hardjo
  • Suínos
  • Pomona
  • Ratos
  • Icterohaemorrhagiae

 Infecção crônica dos túbulos renais por hospedeiros definitivos eliminando microorganismos no ambiente de forma endêmica, e dessa mantém incidência da doença no meio ambiente. 

 Como e quando o quadro clínico acontece?

O quadro agudo da infecção acontece de forma rápida, e progressiva, é caracterizado pela icterícia severa, mas não tem relação direta com a necrose hepatolobular. Com caráter de comportamento de doença multisistêmica ou seja: inflamações, trombocitopenia, e falência dos multipla dos órgãos.

 Enquanto nos equinos e humanos, a uveíte é uma das sequelas se não a mais comum, uma vez que a função hepática tende a retornar ao normal quando não são casos de óbitos e tratadas com diagnóstico precoce e tratamento correto da doença. 

 Já em animais de produção como bovinos e suínos, os abortos, retornos de cio, e infertilidade são sinais da doença, enquanto em vacas leiteiras o aumento de intervalos em partos causa grande prejuízo com redução na produção de leite. 

Os Métodos diagnósticos da Leptospirose: Clínico, Direto e Indireto.

O diagnóstico clínico faz-se diante dos seguintes sinais: 

  • Febre;
  • Fraqueza;
  • Mialgia; 
  • Convulsão;
  • Depressão;
  • Conjuntivite;
  • Anemia;
  • Hemorragias;
  • Hemoglobinúria;
  • Icterícia. 
  • Aborto.
  • Natimortos ictéricos e fetos hemorrárigos (comuns). 

O diagnóstico direta e indiretamente pode ser feito por microscopia de campo escuro (urina) para visualização das Leptospiras spp, e outros como: 

  • Coloração de sais de prata;
  • Imunoistoquímica;
  • Imunofluorescência. 
  • Elevação do TGP e Creatinina.

 Algumas pesquisas para achar anticorpos de Leptospira spp pode ser feito através do MAT (Técnica de Aglutinação Microscópica) declarada como "padrão-ouro" pela OMS, pode ser realizada por exemplo: 

 Culturas => 5 à 10 dias em 28ºC;

Meio de Cultura => Ellighausen (EMJH), e posteriormente enriquecido com soro de coelho;

Leitura em meio de coloração microscópio escuro, representando maior título na observação de grumos através da colheita realizada do animal ou ser humano na fase aguda.

22 sorovares da Leptospira: 

  1. australlis (Ballico);
  2. Bratislava (Jez Brastilava);
  3. autumnalis (Akiyami A); 
  4. butembo (Butembo);
  5. fortbragg (Fort Bragg);
  6. castellonis (Castellon 3);
  7. bataviae (Van Tienen);
  8. canicola (Hond Utretcht);
  9. whitcombi (Whitcombi);
  10. cynopteri (3522 C);
  11. sentot (Sentot);
  12. grypptotyphosa (Moska V);
  13. hebdomadis (Hebdomadis);
  14. copenhageni (M 20);
  15. icterohemorrhagieae (RGA);
  16. panama ( CZ 214 K ); 
  17. pomona (Pomona);
  18. pyrogenes (Salinem);
  19. wolffi;
  20. hardjo (Hardjoprajitno);
  21. shermani (1342 K);
  22. tarassovi (Perepelitsin).

 O final para refletir e questionar.

Existe tratamento, porém cabe a cada médico veterinário ou médico (em caso de humanos) através de consulta, exames definir qual melhor protocolo clínico para cada paciente. Por isso consulte um profissional conforme a sua necessidade!

 Enquanto na parte de prevenção e controle faz-se necessário como prioridade a vacinação de cães e gatos, com reforço anual. Controlar os roedores (domiciliares e sinantrópicos), e evitar alimentação dos animais no período noturno protegendo seus insumos. O mesmo vale para os bovinos, suínos e ovinos, porém nas instalações é preciso maior cuidado em cochos e locais usados para água e alimentação, além de locais alagados.

 Importante também levantamento de dados, principalmente para saber qual sorotipos está na propriedade que está sendo testada.  

 Fontes e Referências 

Guia de Bolso Doenças Infecciosas 8ª Edição

Doenças Infecciosas em Cães e Gatos Greene 4ª Edição;

Patologia Animal Santos & Alessi 2ª Edição;

Histologia Básica- Junkeira e Carneiro 12ª Edição;

Epidemiologia Básica - Bonita 2ª Edição; 

Microbiologia veterinária - McVey; Kennedy; Chengappa - 3 ed. (2017) - Pt

Microbiologia - 10ª Ed. - Christine L. Case ; Berdell R. Funke ; Gerard J. Tortora - 2012. 


Sugestões de Links Internos para leitura

 Leia também no Zoonótico:


 



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